World music management and booking

SONS e VISÕES de ÁFRICA

Documentary Film Festival

Lisbon, Julay 2007

for "Africa Festival"

A mostra de cinema SONS e VISÕES de ÁFRICA, à semelhança de quanto a própria criação documental sugere, intenta proporcionar encontros, consentir o tempo para estabelecer uma relação, contar, dar a ver e ouvir...

No caso de uma África pouco vista entre nós, embora muito ouvida, pareceu-nos representar uma urgência. Se pensarmos na difusão da produção musical do continente africano, na maciça presença da obra de Ali Farka Touré e de muitos outros músicos nas prateleiras das nossas casas e nas das grandes lojas de discos, ou no incremento da expressão da música cabo-verdiana nos últimos dez anos, é inevitável concluirmos que o mesmo não aconteceu com o cinema. A maior parte da produção cinematográfica de e sobre os países africanos é ainda muito pouco exibida entre nós.

Esta mostra abre uma secção do África Festival dedicada ao cinema e surge com a intenção de contribuir para o conhecimento da vida e do imaginário dos países africanos. SONS e VISÕES de ÁFRICA traz até ao Cinema São Jorge muitos filmes que reclamam uma oportunidade de visibilidade, pequenas e grandes histórias sobre a cultura e a prática da música,.

No documentário Teshumara, um encontro com o grupo Tinariwen partilhamos momentos da vida destes célebres músicos no deserto e fragmentos das suas memórias, conhecendo de perto o universo que existe por trás da sua música, a luta pela defesa dos direitos dos Tuaregues,.

“I sleep here and there’s the guitar. When I feel the spirits I just open the guitar case and just play. I make sure the guitar is not far from me.”, conta-nos Philip Tabane, velho músico sul-africano que acompanhamos em Bajove Dokotela até a sua casa, pelas ruas da township de Mamelodi.

Escolhemos um cinema documental que dirige o seu olhar para o universo da música através de uma linguagem feita de proximidade e abertura, de experiência e envolvimento pessoal dos realizadores, proporcionando um contacto com as realidades onde estas músicas nascem e vivem, com a sua expressão e incidência social, com aspectos económicos ou religiosos com elas relacionados, com as histórias de muitas pessoas.

Quisemos também evocar a história dos muitos músicos que deram voz à longa luta de libertação do apartheid na África do Sul com o imperdível filme Amandla!. Inesquecíveis imagens de arquivo e testemunhos recolhidos durante longos anos por Lee Hirsch, Prémio do Público no Sundance Festival, em 2002.

“Quand les artistes se connectent, l’histoire se raconte avec force” sugere-nos o realizador François Bergeron depois de ter acompanhado em Ishumars as etapas de um encontro musical entre alguns rockers franceses e os músicos Tuaregues. A estes encontros e conexões entre o cinema e a música é também dedicada esta mostra.

Outras conexões encontrão ainda na sessão dedicada à música angolana: uma ponte entre o cinema e as artes, no poema visual Muxima do artista Alfredo Jaar e no filme Mãe Ju, em estreia nacional, realizado pelo documentarista Kiluanje Liberdade com a fotógrafa Inês Gonçalves, no âmbito da exposição Agora Luanda.

A mostra abre com uma homenagem ao cineasta mauritano Abderrahmane Sissako, figura incontornável no âmbito da criação contemporânea e no da exploração de uma zona de fronteira entre o registo documental e ficcional, de um cinema atento a experienciar o real e a veicular uma visão do mundo. O cinema de Sissako não foi exibido no circuito comercial em Portugal, mas os seus filmes foram já aqui mostrados em retrospectivas e festivais cinematográficos. Vamos poder ver agora Bamako (2006), em antestreia nacional, obra que Sissako conta ter nascido das discussões com o pai sobre África, anos atrás , no mesmo pátio do Mali onde hoje filma a preparação de um tribunal e um processo contra o Banco Mundial e o FMI.

“Calado não dá... ficas triste” acautela Mano Mendi, o último tocador de cimboa em Santiago, Cabo Verde. E lembra-nos assim da importância emocional e política que o ter e o dar voz têm nas nossas vidas.

Luciana Fina, Cristina FinaA mostra de cinema SONS e VISÕES de ÁFRICA, à semelhança de quanto a própria criação documental sugere, intenta proporcionar encontros, consentir o tempo para estabelecer uma relação, contar, dar a ver e ouvir...

No caso de uma África pouco vista entre nós, embora muito ouvida, pareceu-nos representar uma urgência. Se pensarmos na difusão da produção musical do continente africano, na maciça presença da obra de Ali Farka Touré e de muitos outros músicos nas prateleiras das nossas casas e nas das grandes lojas de discos, ou no incremento da expressão da música cabo-verdiana nos últimos dez anos, é inevitável concluirmos que o mesmo não aconteceu com o cinema. A maior parte da produção cinematográfica de e sobre os países africanos é ainda muito pouco exibida entre nós.

Esta mostra abre uma secção do África Festival dedicada ao cinema e surge com a intenção de contribuir para o conhecimento da vida e do imaginário dos países africanos. SONS e VISÕES de ÁFRICA traz até ao Cinema São Jorge muitos filmes que reclamam uma oportunidade de visibilidade, pequenas e grandes histórias sobre a cultura e a prática da música,.

No documentário Teshumara, um encontro com o grupo Tinariwen partilhamos momentos da vida destes célebres músicos no deserto e fragmentos das suas memórias, conhecendo de perto o universo que existe por trás da sua música, a luta pela defesa dos direitos dos Tuaregues,.

“I sleep here and there’s the guitar. When I feel the spirits I just open the guitar case and just play. I make sure the guitar is not far from me.”, conta-nos Philip Tabane, velho músico sul-africano que acompanhamos em Bajove Dokotela até a sua casa, pelas ruas da township de Mamelodi.

Escolhemos um cinema documental que dirige o seu olhar para o universo da música através de uma linguagem feita de proximidade e abertura, de experiência e envolvimento pessoal dos realizadores, proporcionando um contacto com as realidades onde estas músicas nascem e vivem, com a sua expressão e incidência social, com aspectos económicos ou religiosos com elas relacionados, com as histórias de muitas pessoas.

Quisemos também evocar a história dos muitos músicos que deram voz à longa luta de libertação do apartheid na África do Sul com o imperdível filme Amandla!. Inesquecíveis imagens de arquivo e testemunhos recolhidos durante longos anos por Lee Hirsch, Prémio do Público no Sundance Festival, em 2002.

“Quand les artistes se connectent, l’histoire se raconte avec force” sugere-nos o realizador François Bergeron depois de ter acompanhado em Ishumars as etapas de um encontro musical entre alguns rockers franceses e os músicos Tuaregues. A estes encontros e conexões entre o cinema e a música é também dedicada esta mostra.

Outras conexões encontrão ainda na sessão dedicada à música angolana: uma ponte entre o cinema e as artes, no poema visual Muxima do artista Alfredo Jaar e no filme Mãe Ju, em estreia nacional, realizado pelo documentarista Kiluanje Liberdade com a fotógrafa Inês Gonçalves, no âmbito da exposição Agora Luanda.

A mostra abre com uma homenagem ao cineasta mauritano Abderrahmane Sissako, figura incontornável no âmbito da criação contemporânea e no da exploração de uma zona de fronteira entre o registo documental e ficcional, de um cinema atento a experienciar o real e a veicular uma visão do mundo. O cinema de Sissako não foi exibido no circuito comercial em Portugal, mas os seus filmes foram já aqui mostrados em retrospectivas e festivais cinematográficos. Vamos poder ver agora Bamako (2006), em antestreia nacional, obra que Sissako conta ter nascido das discussões com o pai sobre África, anos atrás , no mesmo pátio do Mali onde hoje filma a preparação de um tribunal e um processo contra o Banco Mundial e o FMI.

“Calado não dá... ficas triste” acautela Mano Mendi, o último tocador de cimboa em Santiago, Cabo Verde. E lembra-nos assim da importância emocional e política que o ter e o dar voz têm nas nossas vidas.

Luciana Fina, Cristina Fina


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